Natural do Maranhão, o médico Cesário dos Santos Veras foi graduado pela Faculdade de Medicina da Bahia, no ano de 1919. De volta à terra natal, em outubro de 1920 o jornal Diário de São Luís anunciava um aniversário seu, ao lado do jovem Luís de Moraes Rego, o caríssimo professor Luís Rego, a quem a intelectualidade maranhense muito deve. Esse fato indica, salvo melhor juízo, que àquela altura o dr. Cesário Veras já conquistara posição de destaque na sociedade ludovicense.
O foco principal do seu trabalho profissional, segundo a professora Maria de Lourdes Lacroix, foi o Serviço de Saúde Pública do Estado. Ocupou o cargo de diretor de Saúde, e se notabilizou por sua dedicação à área da bioestatística. Consta que, por volta de 1923, seguindo os passos do dr. Cássio Miranda, “firmou as vigas mestras da bioestatística sanitária”. E mais: foi, na época, “o maior maranhense neste campo de trabalho, dando cunho verdadeiramente científico acerca da situação sanitária do Maranhão”.
Outro trabalho, que se estendeu até 1930, mereceu do professor Olavo Correa Lima um comentário segundo o qual se tratava de “uma visão panorâmica de valor inestimável”. De fato, Cesário Veras se preocupou com problemas de higiene e saúde pública, “tendo realizado pesquisas, publicado trabalhos e apresentado sugestões valiosas”. Só para exemplificar, como representante do Maranhão na Exposição Nacional de Pernambuco, em 1939, pela primeira vez “a mortalidade infantil foi analisada segundo suas causas, com especial atenção para as enterites, as infecções respiratórias e as parasitoses”.
Busca no arquivo do Conselho Regional de Medicina do Maranhão permite constatar que o registro de Cesário Veras aconteceu no início de 1958, isto é, apenas alguns meses depois da criação de tais Conselhos no Brasil. Recebeu o número 58.
Os documentos consultados informam ainda que o seu consultório era à Rua do Egito, atual Antônio Lopes, nº 106, no Centro Histórico de São Luís. Pesquisa na internet, por outro lado, levou à constatação de que no endereço há um sobrado colonial do século XIX, com dois pavimentos e mirante, na esquina com o Beco do Couto ou Zaque Pedro. É conhecido como Solar Cesário Veras. Restaurado pelo Tribunal de Justiça do Maranhão, o prédio vem sendo utilizado pelo Poder Judiciário, onde funciona a Unidade de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do Maranhão.
Trabalho publicado em 2015, com a chancela do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão e assinado por Ramsés Silva, dá conta de que no Solar Cesário Veras teria havido, em 1823, um jantar e baile em homenagem ao controvertido Lorde Cochrane, quando da sua passagem por São Luís, a convite de dom Pedro I, a fim de consolidar a Adesão do Maranhão à Independência do Brasil. Referido episódio é citado por Josué Montello na sua obra “Os Tambores de São Luís”. Por conta disso, o Lorde Cochrane, que no dizer de Ramsés Silva “era apenas um mercenário saqueador que, após saída da Marinha Britânica por envolvimento em crimes de corrupção, veio refugiar-se na América Latina”, recebeu o título de Marquês do Maranhão.
Cesário dos Santos Veras estava presente na reunião de fundação da Faculdade de Ciências Médicas do Maranhão, em 1957, e foi um dos seus primeiros catedráticos, ao lado de Paulo Brandão, Carneiro Belfort e outros. É o patrono da Cadeira nº 10 da Academia Maranhense de Medicina, ocupada pelo acadêmico fundador Carlos Celso Gomes Nunes.