Zuleide Violeta Fernandes Bogéa nasceu em 13 de outubro de 1887, no município de Arari (MA). Foi professora normalista em diversos colégios da capital maranhense e fundou, em 1920, a Escola São Luiz Gonzaga, instituição de ensino primário em São Luís, que funcionou nas ruas Antônio Lobo, Oswaldo Cruz, no Centro e, posteriormente, na Rua Coronel Collares Moreira, nº 22, atual Rua da Paz. A escola foi dirigida por ela até 1971.
Além de educadora, Zuleide destacou-se na produção de material pedagógico ao criar, em 1929, a “Cartilha de Luiz”
A Cartilha de Luiz, foi uma cartilha de alfabetização adotada por várias escolas do Estado do Maranhão.
Essa iniciativa consolidou sua atuação na educação pública, evidenciando seu compromisso com a formação intelectual e como cidadã da população.
No campo político, Zuleide Bogéa tornou-se um marco histórico ao ser eleita, em 1934, a primeira deputada estadual do Maranhão, pela Assembleia Constituinte. Filiada ao Partido Republicano do Maranhão, seu mandato ocorreu durante o governo de Paulo Ramos. Ao tomar posse, em 1935, foi nomeada presidente da Comissão Parlamentar encarregada de elaborar o Regimento Interno da Casa, exercendo papel central na organização do Parlamento estadual.
Sua eleição inseriu-se em um contexto de profundas transformações no Brasil. Em 24 de fevereiro de 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, foi promulgado o Decreto nº 21.076, que instituiu o Código Eleitoral Brasileiro e reconheceu o direito de voto aos cidadãos maiores de 21 anos, sem distinção de sexo. Contudo, havia restrições: nas eleições de 3 de maio de 1933, as mulheres casadas só poderiam votar com autorização do marido, enquanto viúvas e solteiras precisavam comprovar renda própria (BAZAR, Benedito).
No Maranhão, após a Revolução de 1930, os partidos políticos foram dissolvidos e só voltaram a atuar em 1934. A nova legislação garantia à agremiação que obtivesse a maioria das 30 vagas da Assembleia Constituinte o controle do poder estadual. Disputaram o pleito partidos como a União Republicana Maranhense, o Partido Republicano Maranhense, o Partido Social Democrático, o Partido Socialista Brasileiro, a Liga Eleitoral Católica, a Ação Comercial Trabalhista, a Ação Integralista Brasileira e a Frente Única Proletária.
Foi nesse cenário que as mulheres maranhenses, pela primeira vez, puderam concorrer a cargos eletivos. Um grupo de professoras candidatas foi formado, incluindo: Hildenê Gusmão Castelo Branco e Aliete Bello Martins (Partido Republicano), Zuleide Fernandes Bogéa e Rosa Castro (União Republicana Maranhense), Zélia Maciel de Campos (Liga Eleitoral Católica), Othilia Cantanhede Almeida e Judith da Silva Ferreira (Ação Integralista Brasileira), todas oriundas do magistério (BAZAR, Benedito).
Apesar das disputas políticas e eleitorais, apenas Zuleide Bogéa obteve êxito, tornando-se a primeira mulher eleita deputada estadual no Maranhão. Sua vitória representou uma conquista histórica do movimento feminino, que lutava pela ampliação dos direitos políticos e pela participação das mulheres na vida pública brasileira.
Acima, encontram-se registros fotográficos de Zuleide Violeta Fernandes Bogéa, ao lado de seus correligionários da Assembleia Legislativa em 1934 — documentos que testemunham sua trajetória política e seu protagonismo na história do estado.