A historiografia mudou a partir da década de 1980, assim como a a Escrita da História. Não mais falando dos vencedores, mas daqueles que foram vencidos, ou aqueles que foram excluídos, silenciados na nossa História. Logo, a partir da virada historiográfica, a Mulheres passaram a ser protagonista na Narrativa Histórica, logo aquelas que foram silenciadas, excluídas tiveram suas vozes sendo representadas na chamada Nova História Cultural.
Não sendo mais a Historiografia como instrumento de Dominação Masculina, contrariando o sistema patriarcal, a misoginia, desde a era colonial que fora perpetuada até os dias de hoje na nossa República. Para que as Mulheres saem desse sistema de opressão, foi uma luta histórica coletiva para que todas pudessem ter Representatividade seja, na Política, ou até mesmo na Sociedade.
Assumir o protagonismo, é se colocar diante dos desafios encontrados dentro de uma sociedade feita e criada por homens “ o mundo é dos homens”. No entanto, fazendo do impossível, o possível, a Historiadora Emília Viotti nos diz “ As mulheres brasileiras, se diziam protofeministas que começaram a surgir no século XIX, eram oprimidas,vítimas passivas dos seus senhores. Sem acesso à educação, não dispunham de meios para se emancipar: não tinham oportunidades de trabalho nem direitos ao sufrágio e á cidadania. Estavam presa num ciclo vicioso. Como lhes faltava o poder político, não tinham acesso á educação, E SEM EDUCAÇÃO JAMAIS TERIAM DIREITO POLÍTICO.
Ou seja, historicamente fora negado esses espaços a Mulheres na Política, aos seus papéis eram designadas “ a desempenhar seus papéis de mães e esposas.”, com o findar da Monarquia e a Lutas da Mulheres pela Representatividade na Política muito se discutiu em dar Direitos ao Votos as Mulheres brasileira, no entanto, mais uma vez o Patriarcalismo, vence! Pois, não deixavam com que tivessem os mesmo direitos que os homens, parafraseando Dr. Iracame Vale “ Muitos ainda não conseguem lidar com o fato de uma Mulher ocupar um espaço de Poder
Assim, “A ideia de estender o voto às mulheres pareceu a muitos congressistas imoral e anárquica. Alguns chegaram a prever que a concessão do direito de voto às mulheres levaria à dissolução da família. Mulheres não deviam ter o direito a voto porque sua missão era educar os filhos, diziam outros. Para estes, a participação da mulher na esfera pública era incompatível com as suas funções domésticas. As mulheres tiveram de esperar mais quarenta anos até obter esse direito em 1932.” (VIOTTI, Emília, p.522).
E somente com o governo do então Presidente Getúlio Vargas, assinando um decreto sob nº 21.076 de 24 de fevereiro, foi assegurado as mulheres o direito de votar e ser votada. E em 1933, “na eleição para a Assembleia Nacional Constituinte, a mulher brasileira, pela primeira vez, em âmbito nacional, votou e foi votada. (…) pois o marco inicial das discussões parlamentares em torno do tema começou em meados do Século XIX, quando surgiu a imprensa voltada especificamente para o público feminino e, por meio dela, as primeiras articulações acerca do assunto” (Tse. Jus)
No Maranhão, foi formada a Assembleia Constituinte em 1934, em que foi formada uma junta feminina “ Hildenê Gusmão Castelo Branco, e Aliete Bello Martins, pelo Partido Republicano, Zuleide Fernandes Bogéa e Rosa Castro, pelo Partido União Republicana Maranhense, Zélia Maciel de Campos, pela Liga Eleitoral Católica, Othilia Cantanhede Almeida e Judith da Silva Ferreira, pela Ação Integralista Brasileira”, eram para ser duas Mulheres no parlamento Estadual, no entanto, devido “ a violência política de gênero” a Dep. Rosa Castro teve sua candidatura impugnada. Logo, não pôde chegar a Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão – ALEMA. Por mais que espaços sejam ocupados no Poder, na política, hoje por uma Luta das Mulheres, dividem esses espaços na Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão, afinal, “LUGAR MULHER TAMBÉM É AQUI NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO MARANHÃO”. (VALE, Iracema).
A partir deste ano, foi uma virada na História Política Brasileira, pois a partir de então, com o Decreto 21.076 24 de fevereiro, de 193, e em 1934 a primeira Mulher Eleita como Deputada Estadual no Maranhão, tivemos outras que também entraram no espaço da Política. Ou seja, Zuleide Fernandes Bogéa, juntamente com Rosa Castro abriram espaços para as mulheres maranhenses lutarem por seu Direitos Políticos. Assim, em “1937 realizaram- se as eleições para as prefeituras e câmaras municipais. (….) Nestas eleições, uma mulher levantou a bandeira do feminismo e se candidatou a prefeita do município de São João dos Patos: Joana da Rocha Santos, a famosa Dona Noca, que se elegeu e virou personagem lendária pela coragem e destemida determinação. Com o Estado Novo em 1945 os partidos foram extintos e as eleições suspensas. Logo, as Mulheres ficaram de fora da zona eleitoral. Retornando somente em 1947 quando o povo maranhense foi convocado para eleger os Deputados que iriam preparar a Nova Constituição do Estado do Maranhão.”
A partir desse momento, tivemos outras Mulheres ocupando estes espaços de Poder, assim nos anos setenta, tivemos grandes nomes na Política do nosso Estado, assim como uma maior participação das mulheres se candidatando- se “aos cargos eletivos majoritários e proporcionais”. Tivemos nomes como: Deputadas Conceição Mota, Maura Jorge, Marly Abdala, Conceição Andrade, Helena Heluy, Janice Braide, Maria Aparecida Furtado, Malrinete Graçhada, Teresa Murad, Ivete Botelho (…) Eliziane Gama, entre outras. Já no Congresso Nacional, Nice Lobão, Roseana Sarney, e Eliziane Gama.
Uma das questões mais importantes a ser destacada na História das Mulheres na Política é a primeira mulher a ocupar um dos mais altos cargos na Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão, que é a Dep. Iracema Cristina Vale Lima, que atua na política há mais de 3 décadas, logo, se tornando a primeira mulher como Presidenta da Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão – ALEMA. Tendo uma carreira consolidada na política no estado, lutando em diversas causas em prol do Estado do Maranhão. Uma conquista individual, de uma luta coletiva. Abrindo caminhos para que outras mulheres possam ocupar o mesmo espaço que um dia sonhou.